• Por Roberta Vendramini

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  • 03/03/2012

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AutoCAD

AutoCAD Aula 19: Calculando e desenhando rampas para Pessoa Portadora de Necessidades Especiais (P.P.N.E.) conforme ABNT NBR 9050:2004

“Acessibilidade é um processo de transformação do  ambiente e de mudança da 

organização das atividades  humanas que diminui o efeito de uma deficiência”

Marcelo Pinto Guimarães, Professor de Arquitetura

19.1 RAMPAS: CONCEITO

De acordo com a Pontifícia Universidade Católica (2009), as rampas, diferentemente das escadas, podem se constituir meios de circulação verticais acessíveis a todos, sem exceção. Por elas podem circular pedestres, idosos, cardíacos, pessoas portadoras de necessidades especiais (P.P.N.E), usuários de cadeiras de rodas, mães com carrinhos de bebês, ciclistas, skatistas etc. Entretanto, para que elas possam ser, de fato, utilizadas pela maior gama possível de pessoas, é preciso seguir a norma de acessibilidade NBR 9050 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004), de forma a dimensionar esse meio corretamente, atendendo com segurança todos os usuários.

19.2 AS FÓRMULAS

Como se sabe, a inclinação máxima das rampas vem indicada, nas normas técnicas, em porcentagem (%). Deve se notar, desde já, que a porcentagem de inclinação é muito diferente do grau de inclinação (exemplo: 5% não é a mesma coisa que 5º).

De acordo com a NBR 9050 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004), Figura 19.1, a inclinação das rampas deve ser calculada segundo a equação:

i = h x 100 / c

i           é a inclinação, em porcentagem;

h          é a altura do desnível;

c          é o comprimento da projeção horizontal.

Figura 19.1: Exemplo de dimensionamento

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

A altura h é a altura do desnível que a rampa vence, medida na vertical, e o comprimento c é a extensão horizontal (em planta) em que a rampa vence essa altura.

Na realização do cálculo, ambos devem ser referidos na mesma unidade, ou seja, se a altura estiver expressa em centímetros, o comprimento também terá que estar expresso em centímetros. Exemplo: se a rampa vencer 8 centímetros numa extensão de 2 metros, serão usados para o cálculo 8cm e 200cm.

A partir da fórmula principal, as equações para cálculo do comprimento e da altura do desnível podem ser assim deduzidas:

c = h x 100 / i                          h = i x c / 100

Atenção:  

Na construção de uma rampa, quanto maior for a altura do desnível a ser vencido, maior terá que ser o seu comprimento. É um engano comum pensar que o uso da área da escada para fazer um plano inclinado sobre ela seria a solução para o acesso. O espaço utilizado por uma escada nunca será suficiente para fazer uma rampa em seu lugar. Ficaria muito íngreme, deslizante, e não permitiria sua utilização de forma segura.

19.3 LARGURA E PATAMARES

Segundo a NBR 9050 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004):

  • a largura mínima admissível para uma rampa é de 1,20m, sendo recomendada a largura de 1,50m. O fluxo de usuários é fator determinante para o dimensionamento dessa largura. Dessa forma, não se pode utilizar a mesma largura para uma rampa de uma edificação residencial e para uma estação de transportes de massa ou um shopping center;
  • em edificações existentes, quando a construção de rampas nas larguras indicadas ou a adaptação da largura das rampas for impraticável, podem ser executadas rampas com largura mínima de 0,90m com segmentos de, no máximo, 4,00m, medidos na sua projeção horizontal;
  • entre os segmentos de rampa devem ser previstos patamares com dimensão longitudinal mínima de 1,20m sendo recomendável de 1,50m. Os patamares situados em mudanças de direção devem ter dimensões iguais à largura da rampa, conforme Figura 19.2:

 

 

Figura 19.2:  Largura e patamares de rampas

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

  • a inclinação transversal dos patamares não pode exceder 2% em rampas internas e 3% em rampas externas;
  • quando não houver paredes laterais as rampas devem incorporar guias de balizamento com altura mínima de 0,05 m, instaladas ou construídas nos limites da largura da rampa e na projeção dos guarda-corpos, conforme Figura 19.3:

Figura 19.3:  Exemplo de inclinação transversal e largura de rampas

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

Figura 19.4: Detalhes de rampa

Fonte: Edifique (2012)

  • para rampas em curva, a inclinação máxima admissível é de 8,33% (1:12) e o raio mínimo de 3,00 m, medido no perímetro interno à curva, conforme figura 19.5:

 

Figura 19.5:  Dimensões indicadas para rampa em curva

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

19.4 CORRIMÃO E GUARDA CORPO

A NBR 9050 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004) estipula que:

  • as escadas e rampas que não forem isoladas das áreas adjacentes por paredes devem dispor de guarda-corpo com altura mínima de 1,05m associado ao corrimão, conforme Figura 19.6;
  • os corrimãos devem ter largura entre 3,0 cm e 4,5 cm, sem arestas vivas. Deve ser deixado um
    espaço livre de no mínimo 4,0 cm entre a parede e o corrimão. Devem permitir boa empunhadura e
    deslizamento, sendo preferencialmente de seção circular;
  • os corrimãos laterais devem prolongar-se pelo menos 30 cm antes do início e após o término da
    rampa ou escada, sem interferir com áreas de circulação ou prejudicar a vazão. Em edificações existentes, onde for impraticável promover o prolongamento do corrimão no sentido do caminhamento, este pode ser feito ao longo da área de circulação ou fixado na parede adjacente, conforme Figura 19.6;
  • para rampas e opcionalmente para escadas, os corrimãos laterais devem ser instalados a duas alturas: 0,92 m e 0,70 m do piso, medidos da geratriz superior.

Figura 19.6:  Detalhes de corrimão e guarda corpo

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

Atenção:
O guarda-corpo pode apresentar barras horizontais contínuas somente a partir de h=0.45m, a fim de evitar que crianças façam “escalada”. Assim, geralmente são usados perfis verticais em gradis de rampas isoladas em relação à alvenaria. Alem disto, a distância máxima entre os perfis deve ser de 11cm atendendo aos critérios da NBR 14718 (ALCOA, 2011).

Figura 19.7:  Distância máxima entre perfis de guarda-corpo conforme NBR 14718:2008

unspecified

Fonte: Alcoa (2011)

19.5 SINALIZAÇÃO TÁTIL

De acordo com NBR 9050 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004), a sinalização tátil de alerta deve ser instalada perpendicularmente ao sentido de deslocamento no início e término de escadas fixas, escadas rolantes e rampas, em cor contrastante com a do piso, com largura entre 0,25 m a 0,60 m, afastada de 0,32 m no máximo do ponto onde ocorre a mudança do plano, conforme exemplifica a Figura 19.8:

Figura 19.8:  Exemplo de sinalização tátil de alerta nas escadas 
(similar para rampas e escadas rolantes)

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

Figura 19.9:  Sinalização tátil de alerta – modulação do piso

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

19.6 TABELAS DE DIMENSIONAMENTO

As rampas devem ter inclinação de acordo com os limites estabelecidos na Tabela 19.1. Para inclinação entre 6,25% e 8,33% devem ser previstas áreas de descanso nos patamares, a cada 50m de percurso.

Tabela 19.1: Dimensionamento de rampas

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

Em reformas, quando esgotadas as possibilidades de soluções que atendam integralmente a Tabela 19.1, podem ser utilizadas inclinações superiores a 8,33% (1:12) até 12,5% (1:8), conforme Tabela 19.2.

Tabela 19.2: Dimensionamento de rampas para situações especiais

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

19.6 EXEMPLO PRÁTICO

Considerando-se uma edificação nova de uso coletivo, calcular o comprimento (c) de uma rampa para vencer um desnível (h) de 1.20m.

19.6.1 Rampa reta de lance único

De acordo com a Tabela 19.1, para um desnível maior que 1.00m e menor ou igual a 1.50m, a inclinação da rampa será de 5%. Aplicando-se a fórmula apresentada anteriormente, temos:

c = h x 100 / i  

c = 1.20 x 100 /  5

c = 24m 

Portanto, o comprimento total da rampa será igual a vinte e quatro metros.

19.6.2 Rampa reta com um patamar intermediário

Se uma rampa apresentar um patamar intermediário, automaticamente terá dois lances. Assim, dividindo-se o desnível de 1.20m por 2, concluímos que cada lance apresentará uma altura de 0.60m.

De acordo com a Tabela 19.1, para um desnível até 0.80m, a inclinação da rampa será maior que 6,25% e menor ou igual a 8.33%. Usando-se a maior inclinação admissível para um desnível de 0.60m, temos:

c = h x 100 / i  

c = 0.60 x 100 / 8.33

c = 7.2028m

Como utilizamos a inclinação máxima permitida, arredondaremos o comprimento para mais na segunda casa decimal. Portanto, cada lance de rampa terá c=7.21m.  O comprimento total desta rampa dependerá da largura de cada patamar (1,20m no mínimo, 1.50m recomendável), se será em formato de “U” ou não, se terá jardineira entre os lances, etc.

 

 Figura 19.10:  Desenho da rampa reta com um patamar intermediário desenhada em AutoCAD

(Disponível para download em site.construir.arq.br)

Acompanhe no Vídeo 19 os detalhes do cálculo e execução da rampa apresentada na Figura 19.10:

19.7 EXEMPLOS DE RAMPAS

A rampa da Figura 19.11 está localizada em uma estação de metrô de Nova Iorque: observe que apresenta corrimão duplo associado ao guarda-corpo, mas não existiu uma preocupação em relação à guia de balizamento. A altura do guarda-corpo também não é compatível com os padrões exigidos pela norma brasileira.

Figura 19.11: Rampa no metrô de Nova Iorque – corrimão duplo associado ao guarda-corpo

Fonte: Marotta (2011)

A rampa das Figuras 19.12, 19.13 e 19.14, por sua vez, é quase ideal: apresenta corrimão duplo, guia de balizamento e largura adequada. Note-se, porem, a ausência de guarda-corpo, item de segurança fundamental exigida pela NBR 9050 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004) quando as rampas são isoladas, isto é, não apresentam alvenaria nas laterais

.

Figura 19.12: Rampa quase ideal – ausência de guarda-corpo

Fonte: Bem Capaz (2012)

Figura 19.13: Rampa quase ideal – observe a guia de balizamento conforme NBR 9050

Fonte: Bem Capaz (2012)

Figura 19.14: Rampa quase ideal – ausência de guarda-corpo

Fonte: Bem Capaz (2012)

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REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2004. 97p. Disponível em: <www.mj.gov.br/corde/arquivos/ABNT/NBR9050-31052004.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2009.

BEM CAPAZ. As rampas ideais. Disponível em: <http://bemcapaz.spaceblog.com.br/1325225/As-rampas-ideais/>. Acesso em: 01 mar. 2012.

EDIFIQUE. Rampas. Disponível em: <http://www.edifique.arq.br/nova_pagina_25.htm>. Acesso em: 01 mar. 2012.

MAROTTA, B. As rampas são para todos. Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: <http://maonarodablog.com.br/2011/03/30/as-rampas-sao-pra-todos/#principal>. Acesso em: 01 mar. 2012.

PONTÍFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA (PUC). Apostila de circulações verticais. Rio de Janeiro. (Disciplina Desenho de Arquitetura do curso de Arquitetura e Urbanismo). Disponível em: <http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/representarquitetura/da1/desenho1_circverticais_notas.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2009.

Sobre o Autor

  • Roberta Vendramini

    Seguidora de Cristo, casada, arquiteta, professora universitária e blogueira, dedico muitas horas do meu dia gravando videoaulas de AutoCAD e Revit e sou a idealizadora do blog Cursos Construir e vários outros vinculados ao site www.construir.arq.br. Minha verdadeira vocação: ser professora!!!

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