• Por Roberta Vendramini

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  • 01/03/2012

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AutoCAD

AutoCAD Aula 18: Calculando e desenhando escadas

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Nesta aula, ensinarei como desenhar uma escada em planta e em corte no AutoCAD. Porem, antes do desenho, é fundamental calcular a escada dentro das normas técnicas e legislação pertinente, respeitando as relações ergonômicas, a fim de se conseguir uma escada que seja, no mínimo, confortável para o usuário. 

Estudaremos o dimensionamento de escada privativa de acordo com a Lei 11.228/1992 (Código de Obras e Edificações do Munícipio de São Paulo) e o cálculo de escada coletiva conforme a NBR 9050:2004 (Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos) e a NBR 9077:2001 (Saídas de emergência em edifícios). 

18.1 ESCADAS: CONCEITO

As escadas constituem meio de circulação vertical não mecânico que permite a ligação entre planos de níveis diferentes. Ao contrário das rampas, não são acessíveis a todas as pessoas como, por exemplo, usuários de cadeiras de rodas. Ainda assim, quando para uso coletivo, devem ser dimensionadas de forma a atender à NBR 9050 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004) e à NBR 9077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001), garantindo a segurança de todos os usuários. Para uso privativo, devem ser dimensionadas de acordo com a legislação municipal.

De acordo com a Pontifícia Universidade Católica (2009), as escadas são constituídas por:

 

  • Degraus – pisos + espelhos
  • Pisos – pequenos planos horizontais que constituem a escada.
  • Espelhos – planos verticais que unem os pisos.
  • Patamares – pisos de maior largura que sucedem os pisos normais da escada, geralmente ao meio do desnível do pé direito, com o objetivo de facilitar a subida e o repouso temporário do usuário da escada.
  • Lances – sucessão de degraus entre planos a vencer, entre um plano e um patamar, entre um patamar e um plano e entre dois patamares.
  • Guarda-corpo e corrimão – proteção em alvenaria, balaústre, grades, cabos de aço etc na extremidade lateral dos degraus para a proteção das pessoas que utilizam a escada. 

A Figura 18.1 representa as partes constituintes de uma escada. Apenas uma ressalva: os perfis verticais do guarda-corpo estão representados apenas de forma ilustrativa, uma vez que a distância entre os mesmos não pode ser superior a 11cm conforme Figura 18.2.

Figura 18.1: Partes constituintes de uma escada 

Fonte: Pontíficia Universidade Católica (2009) 

 Figura 18.2:  Distância máxima entre perfis de guarda-corpo conforme NBR 14718:2008

Fonte: Alcoa (2011)

18.2 ESCADAS PRIVATIVAS: dimensionamento segundo o Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo (Lei 11.228/1992)

A escada de uso privativo destina-se às unidades habitacionais (interior de apartamento, residência unifamiliar, etc) e a acesso a compartimentos de uso limitado das edificações em geral, devendo observar a largura mínima de 0,80m. Se for de uso restrito, servindo de acesso secundário como, por exemplo, acesso a depósitos, poderá ter largura mínima de 0,60m e desnível igual ou inferior a 3,20m.

Os degraus das escadas deverão apresentar espelho e piso dispostos de forma a assegurar passagem com altura livre de 2,00m respeitando ainda as seguintes dimensões:

  • escada privativa restrita: espelho (e) < 0,20m e piso (p) > 0,20m;
  • escada privativa: espelho (e) < 0,19m e piso (p) > 0,25m.

Serão obrigatórios patamares intermediários sempre que a escada vencer desnível superior a 3,25m. A largura dos patamares será de 0.80m.

Embora a legislação municipal não estabeleça uma relação entre as dimensões do espelho e do piso, é recomendável seguir os parâmetros da NBR 9050:

  • 0,63m  ≤ (p + 2e) ≤ 0,65m.

18.3 ESCADAS COLETIVAS: dimensionamento segundo a NBR 9077:2001 e a NBR 9050:2004

Destinam-se ao uso público ou coletivo, inclusive nas áreas sociais dos condomínios residenciais. As dimensões dos pisos e espelhos devem ser constantes em toda a escada, atendendo às condições definidas a seguir, excetuando-se as escadas fixas com lances curvos ou mistos (retos + curvos). Dessa forma, devem ser seguidos os seguintes parâmetros:

  • pisos (p): 0,28m  ≤  p ≤ 0,32m;
  • espelhos (e): 0,16m ≤  e ≤  0,18m;
  • 0,63m  ≤ (p + 2e) ≤ 0,65m;
  • a largura mínima admissível para as escadas fixas e patamares é de 1,20m.

  
18.4 COMO CALCULAR UMA ESCADA
 

  • el – espessura da laje 
  • pd – pé-direito
  • H – altura do vão a ser vencido (pd + el)  
  • e – espelho 
  • p – piso  
  • n – número de degraus ou espelhos 
  • cp – profundidade do patamar 
  • d – distância ou comprimento da escada em projeção horizontal

Definindo-se H (pé direito + espessura da laje), dividir o resultado pela altura escolhida para o espelho e (entre 16cm e 18cm). O resultado será n (nº de degraus ou espelhos), que será utilizado para se achar o valor real do espelho e.  Usar a condição 0,63m  ≤  (p + 2e) ≤  0,65m para calcular a largura do piso. Para isso, deve-se escolher o valor a ser utilizado entre 0,63m e 0,65m, dando-se preferência para 0,64m sempre que possível.

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Como uma escada de lance único de n degraus possui n-1 pisos e uma escada com um patamar e n degraus apresenta n-2 pisos, tem-se:

  •  para escada sem patamar: d = p (n-1); 
  •  para escada com um patamar: d = cp + p (n-2).

Figura 18.3: Número de degraus de uma escada

Fonte: Faculdade Assis Gurgacz (2009)

Figura 18.4:  Escada reta de lance único sem patamar

Fonte: Faculdade Assis Gurgacz (2009)

Figura 18.5: – Escada em “U” ou escada de dois lances com patamar intermediário

Fonte: Faculdade Assis Gurgacz (2009)

18.5 EXEMPLO PRÁTICO

Calcular n, e, p e d para uma escada reta sem patamar (lance único) de uso coletivo com os seguintes dados:

  • pd = 2,70m;
  • el = 0,15m.

Tem-se:

  • H = pd + el = 2,70m + 0,15m = 2,85m;
  • n = H / e (escolher a altura inicial de e) = 2,85m / 0,18m (máximo permitido para e) = 15,83 = 16 degraus.

Logo:

  • e (altura real do espelho) = H / n = 2,85m / 16 = 0,178m (NUNCA arredondar esse valor).

Assim:

  • 2,85m / 0,178m = 16 degraus.

Calcula-se em seguida, pela condição 0,63m  ≤  (p + 2e) ≤  0,65m, a largura do piso do degrau (p). Definindo-se p + 2e = 0,64m, tem-se:

  • p + (2 x 0,178m) = 0,64m

p + 0,356m = 0,64m

p = 0,64m – 0,356m

p = 0,284m

Finalmente, tem-se uma escada com:

  • 16 degraus (n);
  • espelho (e) = 0,178m;
  • piso (p) = 0,284m

Para completar o cálculo da escada, deve-se determinar a distância em projeção horizontal entre o primeiro e o último degrau. Ora, uma escada de n degraus sem patamar possui n–1 pisos;  logo a distância d será igual ao produto da  largura do piso (p) encontrado pelo número de degraus (n) menos 1.

  • d = p (n-1)

d = 0,284m x (16-1)

d = 0,284m x 15

d = 4,26m

Portanto, o comprimento da escada será igual a 4,26m e o número de pisos é igual a 15.

Ficou com alguma dúvida? Tem alguma sugestão de tema para as próximas aulas? Compartilhe, postando um comentário. 

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Acompanhe no Vídeo 18 a execução do desenho da escada que acabamos de calcular. 

REFERÊNCIAS

ALCOA. Gradil universal: normas e resultados. Disponível em: <http://www.alcoa.com/brazil/catalog/pdf/GRADIL-normas.pdf>. Acesso em: 13 out. 2011.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2004. 97p. Disponível em: <www.mj.gov.br/corde/arquivos/ABNT/NBR9050-31052004.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2009.

___________. NBR 9077: Saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro, 2001. 35p.

FACULDADE ASSIS GURGACZ (FAG). Apostila de Circulação Vertical. Cascavel. (Disciplina de Desenho II do Curso de Arquitetura e Urbanismo). Disponível em: <www.fag.edu.br>. Acesso em: 20 mar. 2009.

PONTÍFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA (PUC). Apostila de circulações verticais. Rio de Janeiro. (Disciplina Desenho de Arquitetura do Curso de Arquitetura e Urbanismo). Disponível em:

<http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/representarquitetura/da1/desenho1_circverticais_notas.pdf>.

Acesso em: 20 mar. 2009.

SÃO PAULO (cidade). Lei nº 11.228, de 25 de junho de 1992. Dispõe sobre as regras gerais e específicas a serem obedecidas no projeto, licenciamento, execução, manutenção e utilização de obras e edificações, dentro dos limites dos imóveis; revoga a Lei nº 8.266, de 20 de junho de 1975, com as alterações adotadas por leis posteriores, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.leispaulistanas.com.br/codigo-de-obras/lei-no-11228-de-25-de-junho-de-1992>. Acesso em: 20 set. 2010.

Sobre o Autor

  • Roberta Vendramini

    Seguidora de Cristo, casada, arquiteta, professora universitária e blogueira, dedico muitas horas do meu dia gravando videoaulas de AutoCAD e Revit e sou a idealizadora do blog Cursos Construir e vários outros vinculados ao site www.construir.arq.br. Minha verdadeira vocação: ser professora!!!

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